Trocando Ideia: Duo VENVS fala sobre lançamento do álbum "Sinergia", carreira, importância da visibilidade Lésbica e muito mais; Confira aqui!

28. agosto 2020 20:51 | Texto por Thais Coronado

O Duo VENVS (pronúncia vênus), formado por Elektra e Evie que além de trabalharem juntas são um casal lindo e com muita sintonia, acabaram de lançar nessa sexta-feira, 28 de agosto, véspera do Dia Nacional da Visibilidade Lésbica o álbum "Sinergia" em todas as plataformas digitais. O projeto chega com mais quatro faixas inéditas e uma releitura totalizando nove canções. Claro que quis saber tudinho sobre esse trabalho, relacionamento entre outras curiosidades que as meninas responderam tudinho para você saber melhor como foi esse processo de criação e conhecer um pouco mais sobre elas e causa que estão envolvidas. Então bora conferir a entrevista abaixo!

O álbum "Sinergia" traz as experiências individuais vividas pelo duo, como a ansiedade, depressão, saúde mental e amor. Ao longo das faixas elas encontram uma maneira de conectar suas histórias particulares em uma só, somando energias por meio do amor e da forte ligação que as une. A parte visual foi todinha produzida, gravada e editada pelo próprio duo, o projeto traz três capítulos que conversam entre si. A primeira parte inicia-se em "Reflexo" , o segundo capítulo é apresentado em "Chega Perto Não" e o capítulo final foi retratado em "Metade". Cada clipe traz uma particularidade que faz tudo ficar mais bonito e especial quando assistido.

Confira o clipe de "Metade" aqui:

Junto ao álbum, o duo também divulgou mais quatro músicas inéditas, incluindo a que dá nome ao projeto, "Sinergia", "Sombras", "Mora em Mim", e a parceria com Georgia Castro, "Inteira", além da já lançada "Contando os Dias" que se unem a "Reflexo", "Proibido", "Chega Perto Não" e "Metade" que completam o álbum. Já deu para perceber que esse álbum foi feito com muito amor, né?! O duo e casal, são inspiração não somente no mundo da música, mas também como defensoras da igualdade e do amor de todas as formas e citaram sobre isso durante a nossa entrevista. Observação: os gatos Nina e Claudio também quiseram participar da entrevista, pois ficaram brincando e fazendo bagunça enquanto elas respondiam nossas perguntas. 

Evie Dee dá seu primeiro passo como cantora profissional, enquanto Elektra se reinventa após ser vocalista da primeira banda de vocal feminino POP Rock teen do Brasil, a Fake Number. Com estilos bem ecléticos e marcantes, ambas levam toda sua autenticidade para as composições que falam tanto sobre amor como dificuldades do dia-a-dia. O projeto recém lançado foi produzido durante o período de isolamento social, fortalecendo ainda mais as duas.  

Entrevista:

Hcnoar: A Elektra já tinha experiência por conta da banda Fake Number, isso ajudou na hora de se reinventar e decidir qual caminho e gênero musical seguir? 

Elektra: Eu acredito que ajuda pelo fato de eu ter passado por um monte de coisa e um monte de experiência, então não é uma regra, não existe uma regra na música de que isso vai dar certo ou isso vai dar errado, mas a gente mais essa noção do que ficaria melhor e por qual caminho seria mais legal seguir. Então eu acho que o que mais ajudou foram as pessoas que eu conheci pela trajetória do Fake Number e que hoje estão ajudando a gente. Mesmo porque as coisas são completamente mutáveis, cada ano muda muito a forma que as pessoas escutam música, então a gente tem que se reinventar sempre.

Hcnoar: As composições são baseadas em experiências pessoais, tratando de assuntos como depressão, ansiedade e saúde mental, que normalmente são assuntos que as pessoas não expõe por medo e insegurança. Como foi esse processo para vocês de expor e colocar para fora através da música? 

Evie: Isso pra mim Evie, sempre esteve muito forte na minha vida desde que eu me entendo por gente, não só na minha vida como na minha família inteira, então sempre foi um assunto abordado de uma forma mais natural. Eu vejo que as pessoas ainda tem muito tabu, muita vergonha, muito medo de falar e isso foi algo que nunca aconteceu comigo porque foi normalizado pra mim desde muito cedo já que todo mundo da minha família praticamente passava por problemas parecidos. Então, falar sobre isso pra mim já era algo que eu costumava fazer, mas ainda não tinha colocado em música, eu sempre escrevi muito, mas eu sempre escrevi muito poema e até hoje eu escrevo as músicas em forma de poesia quem transforma em música é a Lívia. Então, pra mim o que foi mais difícil e ao mesmo tempo libertador foi ver os meus sentimentos e o que eu escrevi se tornando música e eu poder cantar aquilo. Foi um processo muito libertados e vulnerável ao mesmo tempo. 

Hcnoar: E qual a importância de falar sobre esses assuntos para as pessoas entenderem e se sentirem mais confiantes, seja em procurar ajuda ou conversar sobre isso sem se sentirem julgadas?

Evie: eu acho que a importância é justamente normalizar esse assunto que é muito tabu, não só a saúde mental em si, mas até mesmo levantando a bandeira LGBTQIA, a gente fala sobre as nossas experiências, sobre como foi pra gente se assumir e tudo mais. Então a importância é a representatividade mesmo, e as pessoas verem na gente que conseguimos chegar aqui e falar sobre determinadas coisas, que a gente tem abertura e é confiante com isso e passa confiança para as outras pessoas também, então é algo que a gente incentiva sempre, inclusive temos um grupo no telegram com os fãs onde outro dia a gente ficou horas e horas falando sobre isso, da importância de procurar ajuda e se cuidar, e eu acho que isso é uma coisa que vai seguir por toda a nossa trajetória para sempre. 

Hcnoar:  Os clipes e composições de "Reflexo", "Chega Perto Não" e "Metade" se completam tanto com as letras quanto visualmente, como surgiu essa ideia e o processo de criação?

Elektra: Eu trabalho com fotografia, mas nunca tinha me arriscado a dirigir um videoclipe, ainda mais um videoclipe nosso, onde eu mesma apareço. Então a gente teve essa primeira experiência com "Contando os Dias" e eu me apaixonei por essa parte de dirigir e poder fazer as nossas próprias coisas. Acho até que foi uma oportunidade que o isolamento social acabou dando  pra gente, porque a gente estudou muito essa parte e aprendeu muita coisa que a gente não faria se estivesse tudo normal no mundo. A gente teve o tempo de parar e entender as coisas que realmente podíamos fazer sozinhas, então decidimos fazer esses clipes e dirigir nós mesmas. Todos os clipes foram feitos só com três pessoas, eu, a Evie e meu irmão Victor e vimos o potencial que temos de poder fazer as coisas só a gente, sem mais ninguém. A Evie é do grupo de risco, então estamos no interior de São Paulo quase cinco meses na casa dos meus pais em isolamento, então tivemos que nos virar para fazer os clipes quanto fazer o álbum inteiro. 

Evie: É engraçado que a gente marcou a data do álbum antes de ter qualquer música, antes de ter qualquer conceito e ideia, era algo que eu sempre falava pra ela, meu sonho sempre foi fazer um álbum que contasse uma história. Eu queria contar essa história, eu queria falar sobre esse processo de cura, queria falar sobre esses problemas e sobre essas dificuldades.  Então, assim como foi surgindo as coisas nessa segunda etapa do álbum, "Reflexo" foi a primeira letra a surgir já falando da nossa luta interna, nossas personalidades e nossas sombras, ao mesmo tempo que falava muito sobre a gente também e  agente não tinha todos os roteiros prontos, a gente tinha um roteiro, de "Reflexo", já sabia que queríamos que fosse uma trilogia, mas não tinha as outras letras nem os outros roteiros. Então foi muito foda porque a gente foi criando conforme foi acontecendo, a gente mergulhou na história mesmo pra fazer ela existir do jeito que ela existe. 

Hcnoar:  Falando em visual, o da Evie é extremamente marcante por causa da cor dos cabelos, maquiagem e roupas, quais são suas referências na hora de vestir que ajudaram a montar o seu estilo?

Evie: Eu acho que falar em referências em questão estética é muito difícil pra mim, porque eu nunca tive uma referência específica ou uma pessoa que eu possa citar. Então eu acho que acabo pegando elementos de tudo o que eu vejo no mundo, seja artistas que eu gosto, seja paletas de cores, o que eu vejo na internet, natureza, a minha memória ela vai guardando pedacinhos de coisas que eu vejo e acaba se tornando a minha estética. Por exemplo, meu cabelo eu não me inspirei em ninguém em específico, na verdade foi totalmente natural, é óbvio que todas essas influências são implantadas, mas se entrasse no meu Instagram antes de eu apagar as fotos (risos) ia ver quantas fases eu tive, desde mega gótica até agora com cabelo amarelo e maquiagem e roupa colorida. Então meu estilo e meu cabelo sempre expressaram 100% a minha personalidade e o meu estado de espírito. 

Hcnoar:  Na música "Chega Perto Não" a letra diz, "Chega perto não / Quero lembrar o respirar / Desconstruir o meu cantar / Engolir palavras antigas /E as reinventar", qual a importância de desacelerar, se afastar um pouco para se redescobrir e se reinventar?

Evie: Eu acho que é exatamente o que a gente está passando, né?! Tanto emocionalmente quanto na vida, é bem aquele clichê que a gente escuta sempre, mas que é muito real de que para amar alguém a gente precisa se amar antes, se conhecer para deixar outras pessoas entrarem nas nossas vidas e complementarem. Então eu acho que parte de todo o relacionamento e de toda vida temos algum momento em que precisamos nos recolher, a gente precisa da solitude, não é a solidão. Essa é a importância da gente olhar para dentro porque  estamos acostumados com muita informação, 24 horas por dia, internet, televisão, sendo bombardeados com informações, então quando a gente se recolhe e tem esse momento de solitude somos obrigados a  olhar pra dentro e fazendo isso você consegue entender suas fraquezas, e todas as coisas que tem dentro de você para viver um amor, viver sua vida, ser feliz e tudo mais.

Hcnoar:  Vocês aproveitaram esse período de isolamento social para trabalharem nesse projeto, como isso fortaleceu vocês como casal, trabalhar juntas e em especial nesse momento que estamos vivendo?

Elektra: Eu acho que isso fortaleceu total não só como casal, mas como o Duo. Na verdade eu estou bem orgulhosa fa gente, porque a  gente conseguiu coisas que nunca pensamos que fosse possível sair de nós duas. Eu não sei nem explicar, tanta coisa aconteceu nesses últimos cinco meses que a gente está pensando nesse álbum e tal, mas nós sempre pensamos que somos duas pessoas muito preguiçosas, mas conseguimos fazer tudo direitinho, como a Evie falou, a gente só tinha datas e no final de tudo conseguimos fazer um monte de música linda com um produtor incrível, com a nossa equipe incrível também e isso dá forças como casal, porque parece que isso dá mais força para a gente crescer como Duo e se amar tanto a ponto de querer ver o outro realizando aquele sonho. Então eu acho que isso não tinha como se completar mais do que completa, em ser um casal e ser um Duo, vivendo o  nosso sonho juntas e ao mesmo tempo sendo um casal.

Evie: é juntar um amor com o outro. Evie completa.

Hcnoar: Aproveitando o assunto relacionamento, na música "Proibido" a estrofe "Teu beijo tem gosto de hortelã/ e combina com o meu lado todo vilã/ e se fosse pela astrologia, a gente nem se esbarraria", vocês realmente levam em consideração a astrologia? O que seria exatamente essas diferencias que acabaram atraindo vocês?

Evie: É engraçado, porque não somos " Nossa, as loucas da astrologia", mas.. Elektra interrompe.

Elektra: A gente não estaria junto. Risos

Evie conclui: Mas a gente obviamente sempre teve esse contato, eu acho que hoje em dia está cada vez mais na moda perguntar o signo da pessoa antes do nome, então quando a gente se conheceu a gente brincava e conversava sobre isso e eu sou taurina e ela é ariana, então são signos que normalmente não dão certo em relacionamentos, eu sou o inferno astral dela, realmente não faria sentido e foi algo que a gente sempre brincou. E essa parte da música foi bem específica na verdade da gente, porque ela é uma pessoa viciada em chiclete, então desde que a gente se conhece é muito marcante pra mim o gosto e o cheiro da hortelã, e o meu lado todo vilã seria porque eu tenho lua em escorpião, então a gente também está falando da astrologia nessa parte. Então se a gente fosse seguir essas coisas do universo talvez não estaríamos juntas, mas fomos contra tudo isso.

Hcnoar:  Para finalizar, o lançamento de "Sinergia" chega na véspera do Dia Nacional da Visibilidade Lésbica e vocês são defensoras da igualdade e do amor de todas as formas, deixando isso claro também no trabalho de vocês. Qual a importância de falar e dar visibilidade para esse assunto, quebra de barreira e preconceito? 

Evie: Eu acho que a importância é gigantes, qualquer pessoa no mundo que tiver qualquer tipo de plataforma, seja ela grande ou pequena e puder falar sobre isso e bater nessa tecla é de extrema importância, a gente precisa de toda ajuda possível. Nós somos duas mulheres lésbicas que somos um casal e um Duo, então é muito importante pra gente deixar isso muito claro. Não queremos ser o tipo de artistas, nem separadas ou juntas do tipo que deixa subentendido e nem que usa isso, mas é a nossa visão e a nossa realidade.

Elektra: É a nossa realidade e o que a gente quer é mostrar para as pessoas que está tudo bem e que tem que normalizar toda forma de amor, quem você é.

Evie: Como o próprio mês diz, a gente tem que dar visibilidade para as mulheres lésbicas e artistas que ainda são muito invisibilizadas, então todo esse complemento é muito importante. 

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