Crítica: O Escaravelho do Diabo é um filme que já deveríamos ter nos cinemas brasileiros há muito tempo. Confira o bate-papo que tivemos com o diretor e o astro do filme!

6. abril 2016 10:42 | Texto por Joao Felipe Marques

Quando eu era criança, haviam filmes que me deixavam com uma vontade enorme de sair da sala do cinema e fingir que o filme ainda estava ao meu redor. Filmes que fazem com que crianças imaginem mais, se emocionem, se assustem, e comemorem quando finalmente o herói consegue a sua paz. Estes são os filmes que, mesmo não desfilando no tapete vermelho dos festivais e premiações, mexem com a gente, e fazem com que a gente queria ir ao cinema de novo.

Esta semana eu tive o privilégio de assistir a um dos filmes nacionais mais esperados do último ano: O Escaravelho do Diabo. Para aqueles que não sabem, o filme é baseado em um volume da coleção vaga-lume (publicada décadas atrás aqui no Brasil) que com certeza aqueles de vocês que não conseguem largar um livro já leram uma ou duas edições. Eu mesmo, não havia lido Escaravelho do Diabo, mas outros volumes já haviam me chamado a atenção desde bem pequeno.

E este é um filme feito para trazer estas sensações. A sensação de estar assistindo (ou lendo) um suspense inocente, onde o mal é feio e o bem precisa triunfar! E podemos dizer que o bem foi muito bem representado na tela do Escaravelho por Thiago Rosseti e Marcos Caruso, Alberto e Pimentel, respectivamente. (Palmas para o elenco, inclusive. Especialmente para as crianças Thiago Rosseti e Bruna Cavalieri que estão muito bem a vontade na tela).

Alberto é um garoto comum que idolatra seu irmão e como toda criança, é muito curioso. Pimentel é um delegado de polícia que, diferente do livro, está lutando contra uma síndrome de Levi que muito veio a calhar para a narrativa do filme.

Os dois personagens partem em busca de respostas quando os ruivos da cidade de Vale das Flores começam a morrer como moscas na mão de um Serial-Killer (começando pelo irmão de Alberto). A maneira como Pimentel trata Alberto é interessante de assistir, uma vez que por causa dessa interação é que você, espectador, começa a confiar no garoto e dar o devido respeito que o herói do filme merece.

A música está muito presente no filme todo. Trazendo referências de Hitchcock (como o próprio diretor apontou na entrevista), o ambiente de suspense procura se manter suspenso a todo momento. São cenas marcantes, com uma trilha forte e expressiva, que fazem com que alguns dos melhores momentos do filme sejam justamente as novas descobertas do caso.

Outro ponto interessante de comentar sobre O Escaravelho do Diabo, é que este é um filme para crianças. Mas não por ser um filme infantil, de jeito nenhum, mas sim pelos motivos que citei no primeiro parágrafo. É um filme que quer emocionar, mas não necessariamente impressionar. Os assassinatos são tratados como violentos, mas sempre escondidos pelo trabalho da câmera, o que deixou o filme com a classificação indicativa esperada pela equipe de produção: 12 anos.

Mas falando muito pessoalmente, o mais empolgante desta experiência foi ver um filme autenticamente brasileiro, cheio de elementos que você só pode encontrar ali, e que me lembrou os filmes de suspense inocente que me deixaram pensando na história por dias. Eu gostaria de ser uma criança hoje, e ter este filme como opção no cinema. E se você já passou da idade, talvez não se empolgue tanto assim, mas as eternas crianças podem ir sem medo… E quem sabe voltar com um pouquinho.

HCNOAR bateu um papo com o diretor e com o astro do filme, o pequeno gigante Thiago Rosseti que deram um show de simpatia e contaram um pouco mais sobre o processo do filme que já está sendo desenvolvido a 12 anos.

Dá só uma olhada no que o diretor Carlo Milani tinha a dizer:

HCNOAR: No roteiro do filme, as idades de Alberto e seu irmão foram invertidas, o que deixou Alberto como um garoto de 12 anos. Existia esse problema do Alberto não ter o peso na investigação, a  mesma presença de um adulto. Porém, me pareceu no filme que este problema foi resolvido com o Marcos Caruso. A maneira com o Pimentel trata o Alberto é que cria esta confiança no personagem e traz a seriedade. Isso foi intencional?

Carlo Milani: Não só a seriedade, mas também a aceitação do Pimentel da presença do Alberto, da interferência dele, por muitas vezes não enxergá-lo como menino. Joga a chave do carro para o menino, troca palavras de igual para igual na sala dele (os outros policiais estranham, inclusive, pois já percebem nele essa vulnerabilidade. Por isso, a síndrome de Levi foi colocada no roteiro como um forma de que o Pimentel aceitasse a presença do menino, e que eles tenham a necessidade de se unir para poder cada um vencer a sua jornada. A cena da autópsia (presente no livro, da qual Alberto participa) é a´unica destas cenas do livro em que o Alberto do filme não poderia estar.

HCNOAR: Realmente, percebe-se uma mudança no personagem a partir da segunda metade do filme, onde o protagonista de 12 anos segue as ações do protagonista do livro e isso o deixa mais velho.

Carlo Milani: Exato.

HCNOAR: Estávamos falando sobre a classificação indicativa do filme, 12 anos, e eu queria saber mais sobre as cenas do filme, como as de assassinato, que não impressionam mas são cenas que as crianças querem ver no cinema, querem se emocionar, cenas de suspense.

Carlo Milani: A preocupação era sempre cuidar do espectador.

HCNOAR: Vocês tiveram que cortar alguma coisa do filme?

Carlo Milani: SIm. Eu tinha opções para a cena do irmão. Diferentes técnicas com os mesmos planos. A questão era como mostrar isso sem… Você tem que ter o impacto, é a perda do personagem, é a virada do primeiro ato. Para provocar o trauma e o amadurecimento é fundamental que a cena seja forte pra atingir o público, mas não pode ser chocante no aspecto pessoal, sensorial, não pode atacá-la de certa forma. Então a cena é desfocada de propósito, o primeiro foco está no menino e não nele.

HCNOAR: O Thiago estava falando sobre as cenas que deram medo nele durante a coletiva, e ele citou a cena em que encontra o irmão morto, que é uma cena muito legal. Eu queria saber como que você buscou essas expressões e reações no elenco infantil.

Carlo Milani: A mesma responsabilidade que eu tenho com quem assiste, eu tenho com quem faz. A carreira de um jovem ator pode ser muito deturpada. O que o interessa em ser ator pode ser muito perigoso na formação de uma criança. se essa relação com a mídia ta voltada pra uma questão de ego, de vaidade, de exposição ou se a função social do ator, a essência, interessa essa criança de fato. Contar histórias, debater questões importantes pra sociedade, eu olho muito pra isso o tempo todo. E há de se ter critério pra que você não erre a medida na hora de lidar com a dedicação e a vulnerabilidade que a criança tem no processo de construção de um filme.

HCNOAR: Eu adoraria que você pudesse falar um pouco sobre as referências do filme. Desde a arte até a música.

Carlo Milani: Falar de suspense e não falar de HIthcock… EU me inspirei bastante em Hitchcock, a trilha do pássaros, psicose… Na estrutura, na métrica, na distribuição do crime acho que o Seven (filme de David Fincher) e um exemplo bem claro. Apesar do número de crimes ser um pouquinho diferente, mas o nosso filme é menor. O FIncher está ali como uma referência também, sim.

Além do diretor, também conversamos com o astro, Thiago Rosseti.

HCNOAR: Teve alguma cena, ou parte de preparação do filme que foi simplesmente divertida pra você ou que você tenha achado interessante de fazer parte?

Thiago: Duas! Andar de moto, por que eu nunca tinha andado. Meus três irmãos pilotam moto mas minha mãe nunca tinha deixado quando eu era pequeno, e aí eu ficava bravo. Quando eu fiquei maior, ela deixava eu andar de moto, mas eles já tinham parado de andar, aí não dava mais. E a outra foi a cena do desmaio, por que eu sempre tive vontade fazer. Eu até brinco com a minha mãe, tem vezes que eu to no carro, ai eu finjo que estou dormindo pra ver se ela acredita ou não. Eu sempre tive vontade de saber como faz essas cenas de vômito, de desmaio, toda a preparação pra essas cenas.

 

HCNOAR: Como você fala desse filme pros amigos? E que tipo de filme você gosta, que tipo de filme você procura nos cinemas.

Thiago: Eu ainda não falei com muitas pessoas, só com os amigos próximos la do Rio. Mas os filmes que eu mais gosto, são sempre de suspense, terror e ação. Não é que eu ache outros filmes chatos, mas não acho tão empolgante ver um filme com drama, prefiro muito mais ver cena de ação com pessoas se divertindo. Eu acho muito legal ver isso. E o de suspense e de terror, vem de quando eu era menor, por que quando eu chegava em casa, meu irmão tava com os amigos sentado na sala vendo aqueles filmes de demônio, possessão. Meu irmão chamava pra ver com ele e eu pra fingir que era corajoso pros amigos dele, ia e sentava e ficava assistindo assim ( cobriu os olhos, espiando), por que sou curioso. Ai eu acho que aprendi a gostar desse gênero por causa disso.

HCNOAR: E Você quer continuar atuando nesse gênero de suspense, ação?

Thiago: Cara, pra mim atuar é indiferente. Tanto drama, quanto… pra mim é algo que eu gosto muito de fazer então qualquer coisa vai ser sempre prazeroso e muito divertido, muito legal. Pode até ser mais terror, que eu vou achar divertido, ou comédia, que eu também vou achar divertido. Pra mim, qualquer um tá ótimo (risos).

HCNOAR: Você tem algum ator favorito? Referências que você goste de lembrar ?

Thiago: Tirando o Caruso, que eu vi basicamente a vida inteira. Meus pais sempre foram noveleiros, então eu sempre assisti com eles. Vi muito o Caruso e essas pessoas da televisão. E eu tenho duas pessoas que eu queria muito conhecer mas infelizmente um deles não é mais possível, que é o Paul Walker, e o Vin Diesel. Pra mim Velozes e Furiosos é a melhor série de filmes. Eu e meu irmão já vimos acho que 50 vezes cada um dos filmes e pra mim são os dois caras que seria meu sonho maior de conhecer. Você vê essas ultimas cenas do último filme, com os carros saltando e tals. Eu queria muito fazer parte disso. Tenho vontade de conhecê-los por acompanhar bastante essa série de filmes. 

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