MEU QUERIDO AMIGO: Peça que fala sobre aquela sua paixão pelo seu melhor amigo. Confira a entrevista com o elenco!

16. março 2016 11:45 | Texto por Ricardo Nobrega


¨Querido Amigo" narra a trajetória de quatro amigos com personalidades distintas. Bernardo (Gustavo Vierling) e Cristiano (Thiago Mantovani) são amigos de infância, um gay e outro hétero, e dividem apartamento em São Paulo.

Pedro (Filipe Bertini), é o melhor amigo gay de Bernardo e seu conselheiro amoroso. Já Kadu (Fernando Maia), o melhor amigo de Cristiano, é um homofóbico nato e não entende a amizade de Cristiano e Bernardo. Quando situações mal resolvidas vieram à tona, a vida de todos será afetada e sentimentos, inseguranças e dúvidas entram em jogo. 

Estivemos na peça e foi incrível, um clássio "problema" dos gays é se apaixonar pelo amigo hetéro (deveria vir um manual ao ser gay escrito Fuja, não se apaixone, sai dessa, é furada se apaixonar por heteros). Quem vive ou já viveu esse dilema não terá como não se identificar mas a peça guarda surpresas em seu enredo saindo do mais do mesmo. A atuação dos quatro atores são ótimas dentro que seus personagens pedem e vão ter cenas que de tirar seu fôlego que dá aquele toque de 'magia'. Apesar da peça se tratar desse sentimento de agonia que muitos gays e até lésbicas sentem geralmente em suas vidas, a trama é leve, com um certo toque de humor que não tem como não sorrir.


Não poderíamos  deixar de bater um papo bem descontraído com o elenco após a peça, confere aí!

HCNOAR:Como você teve a ideia da peça?

Gustavo: Nós escrevemos o roteiro, nós 4 estudávamos juntos no Wolf Maia, estávamos no último ano, naquela dependência do E Agora? Vamos fazer o quê? A partir daí começamos a pensar, então resolvemos escrever o texto, pesquisando vendo um tema que seria legal, mais próximo da nossa realidade, resolvemos falar sobre amizade que é algo que todo mundo consegue se identificar e a gente consegue tirar as experiências próprias, a partir disso fizemos pesquisa e conseguimos chegar neste texto.

HCNOAR: Pedro, fala um pouco do seu personagem.

Pedro: É um personagem super gostoso de se fazer, ele está sempre pra cima, alegre, que mostra que não tem preconceito com ele mesmo, não se deixa levar por nada disso e ele tenta mostrar isso para os amigos, para as pessoas e ir atrás do que ele quer, não tem medo de mostrar que ele é esse tipo de pessoa e no momento final da peça ¨a grande revelação¨, ele tem uma pegada mais séria, quando ele está sozinho, no canto dele pensando, uma coisa que está anos e anos na vida dele, a falta que ele sentia de tudo que aconteceu foi muito difícil, então ele se jogava assim com as pessoas, para se proteger deste sentimento, uma fuga, do trauma familiar que ele teve.

Ele era extremamente pra cima por causa disso mesmo,para mostrar que não estava abalado, mas no fundo ele sabia que tinha aquela ferida que não tinha fechado.Essa é a grande brincadeira desse personagem. É comum né, melhor deixar dormindo ali, do que você enfrentar um problema de verdade. É um presente realmente mostrar isso para as pessoas fazer o pessoal pensar, que não precisa guardar, precisa ir atrás e resolver as coisas, deixar a vida mais tranquila, mais feliz, mais leve.


HCNOAR: Gustavo,seu personagem Bernardo, todo mundo acha que é uma coisa, mas é outra. Como é você fazer o hétero homofóbico nos dias de hoje tão politicamente correto?

Gustavo: É complicado por que eu atuo dentro de um módulo,mas eu não posso deixar isso interferir numa criação de personagem, é repugnante alguém que é homofóbico, eu como pessoa e a dificuldade de criar um personagem com a visão totalmente diferente é muito grande as vezes, você tem que saber separar, a minha vida do personagem.Não posso deixar uma coisa interferir na outra, por que se eu deixar o personagem interferir na minha vida eu acabo tendo consequências que não tem volta e o contrário é a mesma coisa.

Fernando: Criar o CADU neste contexto de Brasil é muito complicado por que ao mesmo tempo que você cria uma coisa, cria algo, você espera que as pessoas gostem daquilo, que se identifiquem e como se identificar com o homofóbico? Com alguém que tem esse tipo de pensamento? A facilidade de julgar é muito fácil, como transformar esse personagem numa visão humana desse personagem?Por que ele chega neste estado?Por que ele tem contas a pagar?Tem o próprio passado que se esconde e uma visão totalmente coletiva, mas é muito gostoso ter este tipo de trabalho, significa muita concentração, preciso realmente que tenha um foco, tenha toda uma capacidade de entender a atmosfera artística e de ter um conhecimento bom da vida para não deixar isso interferir. 


HCNOAR: Fala um pouco de como é difícil fazer teatro no Brasil de hoje.

Filipe: É muito difícil por que infelizmente não é da cultura do brasileiro ir ao teatro, então muita gente não tem esse contato, tem muita gente que nunca nem foi ao teatro, então você acaba passando um pouco de aperto se não tem ninguém para investir em você ou se você não tem dinheiro para se bancar. Lógico tem muitas leis que ajudam, mas mesmo assim tem tanta burocracia que ás vezes parece que eles dão uma dificultada, então, é meio complicado, mas mesmo assim se você gosta, se você realmente ama o que você faz, não é na primeira, nem na segunda barreira que você vai desistir. Então vocês atores se realmente amam assim como nós  o que fazem: nunca desistam.

Reúna seus amigos e não perca esta peça.

Convidamos todos a comparecer no Teatro Commune (Rua da Consolação, 1218 - Consolação) em todas as quintas de março às 21:00h para assistir nossa história!

Elenco: 

Gustavo Vierling
Thiago Mantovani
Fernando Maia
Filipe Bertini

Direção:
Ivo Ueter

Ingressos: $50 inteira e $25 meia

O espetáculo "Querido Amigo" é acessível em libras. 

Censura: 14 anos

Até lá, pessoal!
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