Fortes Batidas,traz a interatividade para o teatro e sai como uma das peças mais premiadas de 2015. Saiba tudo na entrevista com diretor e elenco!

20. dezembro 2015 22:34 | Texto por Ricardo Nobrega

 
Em uma noite, tudo pode acontecer. Em uma balada então, nem se fala. Pensando nisso o diretor Pedro Granato resolveu fazer uma seleção, na qual 135 jovens participaram, mas apenas 15 formariam o elenco da peça Fortes Batidas, quem tem a proposta diferente dos teatros convencionais, o teatro imersivo.

A apresentação teve início no Centro Cultural São Paulo com todas as seções lotadas. A peça tem vários cenários, mas o que mais chama a atenção é que os atores interagem com o público, como dançar e até mesmo dialogar, caso do personagem Augusto que é o verdadeiro cara que arruma brigas quer "pegar" todas as garotas e até faz aposta para isso, interpretado por Felipe Aydar. E também aborda um assunto que está sempre em pauta, a homossexualidade, personagem interpretado por Aryel Rodrigues, que até então não assumiu sua homossexualidade.

 
A peça do diretor Pedro Granato além de conquistar o público também conquistou a critica e venceu o Prêmio Coca Cola Femsa/ Projeto São Paulo para Teatro Infantil e Jovem na categoria Prêmio Especial pela experimentação cênica e de linguagem dramática ao integrar elenco e plateia na reprodução de uma balada jovem no espetáculo Fortes Batidas.

Batemos um papo com o diretor e com os atores, Felipe Aydar, Gabriela Gama, Aryel Rodrigues e Mateus Fávero.

Confira!

Diretor - Pedro Granato

Hcnoar:
Dê onde tiro a ideia de fazer esse formato fora do comum?

Pedro Granato: Estava querendo falar sobre balada, queria trazer temas e formar que atraíssem no público. Comecei um processo colaborativo no Centro Cultural São Paulo, onde 135 pessoas se inscreveram, fui fazendo uma peneira para chegar em um grupo e atores que representassem diferentes tipos de pessoas.

Hcnoar: Qual a maior diferença que podemos ver dessa interatividade entre o público de São Paulo e o público do interior?

Pedro Granato: Tem uma diferença bem grande. No interior é muito mais conservador, mais receosos e o público de São Paulo é mais independente, alternativo. Mas as apresentações foram bonitas em ambas.



Hcnoar: Como é para você trabalhar com elenco jovem e vencer uma categoria e vencer outra no importante Prêmio Coca Cola Femsa / Projeto São Paulo?

Pedro Granato: Fico muito feliz, mas na verdade foi uma batalha muito consciente da minha parte e apostei nos meninos. Foi um processo colaborativo e de muito improviso. Uma peça profissional feita por jovens.

Ator - Felipe Aydar

Hcnoar:
Seu personagem representa aquele cara que briga, o macho alfa que acha que tem que pegar todo mundo, que aposta na balada. Você acha que ainda existe nessa geração esse perfil?

Felipe Aydar: Eu acho que ainda existe, ele é uma caracterização. Esse tipo de atitude está começando a ser questionado. Apesar de tudo, as pessoas se divertem com ele, se identificam com esse tipo de comportamento.

Hcnoar: Quando te mostraram a proposta de um teatro diferente, qual foi sua reação, achou que seria mais fácil ou mais difícil? 

Felipe Aydar: Acho muito divertido a ideia de você criar e colocar em jogo alguém que não está participando das mesmas regras. Eu na peça xaveco uma pessoa, que pode muito bem dizer que sim, mas tenho que estar preparado para qualquer situação, na lógica do Augusto, não na do Felipe.

Hcnoar: Vocês estão venceram e foram indicados no prêmio Coca Cola Femsa / Projeto São Paulo, como é para você esse reconhecimento?


Felipe Aydar: É uma grande emoção, tanto que estamos fazendo essa apresentação para comemorar. Esperamos que com o prêmio a peça tenha uma longa vida, pois é um prêmio muito valioso.

Ator - Aryel Rodrigues

Hcnoar: Como foi entrar nessa peça, apresentar a proposta do que é bem diferente de um teatro italiano ou outros tipos de arena?

Aryel Rodrigues: Essa peça surgiu de uma oficina com mais de 130 envolvidos, entre jovens atores e dramaturgos e diretores. Mas a temática estava dada desde o início, que era uma festa. Passada a seleção, foram selecionados 15 atores e começamos a trabalhar a partir de personagens que já tinham sido sugeridos na oficina, ai veio a balada. Que representa a geração entre os 18 e 20 anos e fazer o retrato dela, nada critico ou analítico.

Hcnoar: Você faz o personagem de um cara gay que ainda não se assumiu e ele descobre durante a balada. Você acha que ainda existe esse preconceito entre os jovens, fez laboratório, como foi o processo?

Aryel Rodrigues: Foi um processo difícil, beijar um outro homem, um outro corpo que eu nunca tinha encostado antes e o retorno que você vê é que o público se identificou. Eu acho que está mudando a história do preconceito aos poucos.


Hcnoar: 
A peça está indicada e ganhou a vários prêmios e principalmente FEMSA Coca Cola / Projeto São Paulo e APCA como lida com esse reconhecimento?

Aryel Rodrigues: É incrível, por que o que fez a gente chegar nesse patamar é o retorno do público, ver o público se identificando.

Atriz- Gabriela  Gama 

Hcnoar: Qual foi a maior dificuldade ou facilidade em trabalhar em uma peça fora do comum?

Gabriela  Gama: A maior dificuldade é trabalhar diretamente com o público. Porque o público fica junto com os atores e rola improviso, um papo direto e você nunca sabe o que vai acontecer, é um teatro imersivo. É você saber jogar com o personagem, saber lidar.

Hcnoar: Tem vários temas polêmicos, jovens que bebem, brigam e  a questão da sexualidade. Você acha que existe ainda todo esse preconceito?

Gabriela  Gama: Claro, a gente vê isso em notícias. Só  você ao abrir a Folha ou qualquer outro jornal e você vê que gente é espancada na Augusta, na Paulista. A gente veio para provocar esse público jovem e falar. “E ai, não pode ser gay, não pode ser hétero”, viemos para quebrar tabus, de se questionar, questionar o público. Esse projeto surgiu do Mix Brasil que fala sobre a homossexualidade, que fala da diversidade sexual.


Hcnoar:
Como foi receber a notícia de tantos prêmios como APCA?

Gabriela  Gama: Foi muito bacana, foi uma surpresa, é representar uma voz jovem, é sempre muito importante.

Ator – Mateus Fávero

Hcnoar: Como foi para você participar de uma peça que tem muita interatividade com o público

Mateus Fávero: Foi muito interessante por ser uma proposta nova, em que podíamos estar em contato direto com o público, criando uma atmosfera com todos que estão assistindo, sentindo a mesma coisa e proporcionando um teatro diferente. Fazer algo que a gente se diverte e ver que o público está se divertindo junto.


Hcnoar:
Qual que é a maior dificuldade em relação a apresentar um personagem que vem com uma carga de preconceito, como um homossexual?

Mateus Fávero: É sempre difícil, inesperado. Fizemos apresentações no interior e sou de lá e sei o quanto é difícil um homossexual se assumir. Na hora do beijo então, o nervoso aumenta, mas o público vibra, mas é como uma forma de se posicionar. E não é de hoje que vemos muitos casos na Augusta que tem um público também LGBT, onde a violência continua sendo muito grande e a gente se restringe a esse nichos e é uma batalha para barrar o preconceito, a peça cumpre muito esse papel.

Galera se souber dessa peça em cartaz porque temos certeza que em 2016 ela vai rodar por aí e muito!  Não perca jamais!!!!

Colaboração: Carol Dantas

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