Crítica: Victor Frankenstein traz um tom moderno e eletrizante para esta clássica história de monstro.

27. novembro 2015 21:01 | Texto por Joao Felipe Marques

A última reinvenção do clássico escrito por Mary Shelley é capaz de trazer diversos elementos empolgantes ao apelo do tema, porém peca ao conduzir estes elementos por um arco narrativo fraco.

A história de “Victor Frankenstein” narra a empreitada do tal cientista enquanto tenta saciar sua maior obsessão: criar vida. O personagem é vivido por James McAvoy (X-men Primeira Classe) que além de entregar uma atuação eletrizante, ainda transparece carisma e consegue arrancar algumas risadas durante o filme. Victor acaba se deparando com Igor (personagem recorrente em diversas roupagens deste conto, sempre descrito como aquele assistente deformado do cientista, porém ausente da história original de Shelley). Igor é um corcunda, palhaço de circo, que passa seu tempo livre estudando livros de anatomia.

A química entre os dois personagens funciona de maneira fluida e interessante, tornando a primeira metade do filme a melhor porção da obra. Relacionando as habilidades de Victor e Igor com anatomia, o filme utiliza diversas vezes desenhos anatômicos como auxílio visual para transparecer o raciocínio dos dois quando se deparam com algum problema. Esse recurso porém parece ser utilizado de maneira desorganizada, não aparecendo em boa parte do filme, para voltar apenas na sequencia final.

Não há dúvidas de que Daniel Radcliffe (Harry Potter) já conseguiu se desvincular do icônico personagem de raio na testa que o fez tão famoso. Entre todos os elementos questionáveis ou mal aproveitados nesta produção, Daniel consegue se destacar com uma caracterização divertida e bem construída de seu personagem perturbado. Os aspectos psicológicos de Igor não são explorados a fundo (como gostaríamos de ver) mas isso não impede que Radcliffe os torne claros e interessantes.

A maneira como filme traz elementos consagrados de produções atuais é o ponto alto desta produção. As primeiras cenas chegam a deixar uma sensação pulsante de se estar vendo Sherlock (da BCC) por causa dos escritos e desenhos que saltam na tela, e lembram bastante os filmes de Sherlock Holmes protagonizados por Robert Downey Jr (principalmente relacionado à ação). Explorar e aproveitar medicina anatômica da maneira como este filme fez, é raro e divertido de assistir.

Como disse, o filme se perde por um arco narrativo mal construído. A segunda metade do filme não consegue aproveitar os elementos desenvolvidos na primeira metade. A personagem interesse amoroso de Igor claramente tem como função trazer uma perspectiva exterior para o debate sobre “O que é vida?”, porém acaba não exercendo essa função de maneira adequada, ao menos para a trama, deixando que esta perspectiva só possa ser sentida pelo expectador e não pelo personagem principal.

Isso nos leva ao problema com Victor Frankenstein. Mesmo com o carisma e os socos cruzados do personagem, é difícil não se irritar com a falta de consistência nos pensamentos e idéias que Victor conclui, porém sem motivos explícitos. Um personagem volátil, que toma decisões não por consciência, mas simplesmente por necessidade do roteiro. Os problemas com a narrativa culminam na forçada tentativa de se manter o arco aberto para possíveis continuações, o que tira o impacto que poderia ser atribuído a sequência final.

O primeiro monstro de Victor chega a dar um entusiasmo pela sua peculiaridade, e apesar das falhas com o terceiro ato do filme, a caracterização do famoso monstro verde de cabeça chata ficou perfeitamente cabível dentro do tom do filme. Porém novamente, pouco aproveitada. Chego a pensar que este arco teria sido infinitamente melhor trabalhado em um formato de minissérie, principalmente se tratando do vilão, que possuí convicções religiosas fortíssimas e serve como um antagonista de peso para os heróis ateus, mas também merecia uma melhor definição de suas motivações e métodos.

Victor Frankenstein é um filme divertido de se assistir, principalmente pelo seu toque moderno neste clássico conto. Mas fica à espera de uma devida continuação para poder desenvolver melhor este universo tão interessante que foi estabelecido. 

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