Especial HCNOAR com a TV Blog e site sobre o filme "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho" com entrevistas na TV, escritas e curiosidades desse sucesso das telonas. Assista e confira!

17. abril 2014 14:01 | Texto por Ricardo Nóbrega

A produção da Rede HCNOAR tanto do site como da TV Blog, passaram as duas últimas semanas realizando comigo uma imensa pesquisa sobre o filme "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho", onde que inicialmente tivemos um olhar básico e um pouco frio, pois nos pareceu apenas uma história sobre um adolescente cego, com sua melhor amiga na descoberta da sua juventude  e sexualidade e que faz amizade com o aluno novo do colégio onde todos pertencem a uma juventude de classe média paulistana atual baseada no curta "Hoje Eu Não Quero Voltar Sozinho" (com mais de 3 milhões de views) do mesmo diretor.

Com quase 1h30 de entrevistas com o diretor Daniel Ribeiro e os atores Ghilherme Lobo (Leonardo), Fabio Audi (Gabriel) e Tess Amorim (Giovana) e com Victor Filgueiras (Guilherme), (achamos que eles não aguentam mais nos ver, pois tivemos vários encontros com e sem equipe - eu já vi o filme três e devo ver mais [risos] -).  Sem contar as horas e mais horas em debates, lendo comentários na net, lendo e assistindo entrevistas em diversos veículos de comunicação e finalizando no debate em uma sessão especial do filme na última terça no MIS - Museu da Imagem e do Som de Sampa. Para mim a história do filme é muito mais uma simples narrativa temática e espero que ao longo desse especial você também tenha a mesma opinião.

Antes de mais nada, nunca fizemos um especial tão grande no site. Como já devem saber, iríamos fazer do longa "Faroeste Caboclo", mas achamos que o filme não merecia. Para você que não sabe nada sobre o filme "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho" ou tá louco para ver ou rever e quer mais alguns bons motivos com aí vai um resumão dos números do filme para quem não manja, as filmagens duraram apenas quatro semanas. Até o dia 17 passado, o longa é o quinto mais visto no país com 50.000 de público, desde sua estréia no dia 10. Parece pouco? Veja, a sua estréia foi simultânea com "Capitão América: O Soltado Invernal", "Noé", "Rio 2" e "S.O.S Mulheres ao Mar", poh! O filme entrou numa batalha com os gigantes blockbusters e com o gênero preferido dos filmes nacionais no caso a comédia protagonizada pela atriz Giovanna Antonelli. Adivinha quem ganhou de filmes grandes como "Confia em Mim" (veja a matéria com os atores na TV Blog) com Mateus Solano (Félix, lembra dele?) e Fernanda Machado  ambos atores Globais e de "300: A Ascensão do Império". O filme começou com 17 cidades e  pouco mais de 30 salas e com o sucesso da primeira semana com gente para fora do cinema em algumas cidades do nordeste o filme passa a ser exibido nessa segunda semana em 23 cidades em 40 salas. Pensa que parou por aí, o filme abalou não só no Brasil mas também no exterior.

Se liga:

 * O longa participou do 64º Festival Internacional de Cinema de Berlim / Berlinale (um dos mais importantes do mundo).  Esteve também presente na mostra Panorama e foi eleito o melhor longa, pela Fipresci (Associação Internacional de Críticos de Cinema), e conquistou o Teddy Bear, outorgado a filmes com temática e/ou personagens gays.

 * Participou do 54º Festival Internacional de Cartagena das Índias.

 * Com muita surpresa da direção e elenco estiveram no 29º Festival Internacional de Cinema de Guadalajara no México (país homofóbico) foi eleito, pelo público, como melhor filme.

 * Recentemente foi selecionado para participar do Istambul Film Festival na Turquia

Elenco do filme.

Ao longo dessa matéria descobrimos que o filme não é só o melhor sobre o público jovem, comparando com as mais relevantes obras realizadas no Brasil e no exterior sobre teens e jovens de maneira geral como "Pode Crer!", "As Melhores Coisas do Mundo" (quase chegou lá), "Desenrola" (bacana o tema mas teen e pop demais , forçou),"O Diário de Tati" (sem noção),"Confissões de Adolescente" (remake mas não colou com a galera) , "Projeto X" (também queria uma parte daquela festa), "Juno" (show mas faltou algo), American Pie (com suas trocentas edições, sim era foda mas não agregava em nada), "Romeu e Julieta" com Leo Di Caprio (ótima estética, fofo e só) e o clássico "Curtindo a Vida Adoidado", também foda mas uma juventude que ficou no 80's).Enfim todos esses foram bacanas mas faltava algo mais próximo a realidade, sem ter a imposição do american way of life (jeito de viver americano) ou Malhação. e essa realidade que encontramos "HEQVS", presente no texto, nas situações, nas locações como uma house party, que é claro eu iria facilmente se eu tivesse no colégio e que trouxe a juventude de hoje como ela é com seus defeitos, virtudes, tecnologia, esportes, ingenuidade, busca da independência, inseguranças, luta por sonhos, busca do grande amor etc.

O filme não é sobre gays e sim tem personagens gays, mas mesmo assim deixa no chinelo o longa "Do Começo ao Fim" o filme brasileiro um dos pioneiros e o mais famoso com essa temática e que também tinha personagens jovens e um ator global o Rafael Cardoso e outros famosos (recentemente na novela Jóia Rara). Alguns que falam que falta uma estrela de tv e isso nem sempre é receita para ser sucesso e ser um bom filme, muito embora eu acredito que foi uma boa tentativa e dou o mérito da iniciativa de fazer filme que é super complicado e com esses temas então nem fale. Capitou? 

Em Berlim, recebendo um dos prêmios no Festival de cinema.

Por já trabalhar com o público jovem a mais de 10 anos, vi muita coisa na ficção e na vida real sobre essa fase da vida, onde pude me especializar e para mim foi revelador, além de muito importante o fato da intolerância  sobre as questões da juventude, onde no filme se torna mais presente devido a deficiência visual do personagem Gabriel, e sem contar o fato de expor a homossexualidade, mas que no final se pode concluir que é uma obra para todas as idades e para qualquer pessoa do mundo. 

O filme trata muito de como nós jovens estamos lindado com isso tudo, com as nossas descobertas, com os nossos julgamentos, nossos pré-conceitos, com os nossos sentimentos... A primeira coisa quando falamos desse filme para alguém sempre  perguntam: Ué, cego tem tesão, se apaixona? Hello! né!

Mas essa sem dúvida foi uma das maiores sacadas do filme e como diz no subtítulo do cartaz "Nem todo amor acontece à primeira vista". Que pode ser considerado um dos trunfos e desse ponto de partida já posso sugerir aqui essas reflexões: Quais os valores que estamos construindo em nossas relações? Tudo que é bom tem que estar dentro do padrão e do sistema? Tudo que agrada visualmente não é valorizado demais?

Já ouvi também: Puts! Para que preciso conversar com meu amigo, com meus pais sobre meus sentimentos, uma vez que tenho o Google. Pessoalmente para que se tenho o Whats App?" Isso é porque estamos na geração "sabe tudo" e Screen Generation e aí acham que o papo parece chato ou que já ouviu ali e aqui mil vezes. né?

Porém, sabemos que na hora H nós sentimos a necessidade de conversar com nossos pais, amigos e além de ter o contato pessoal e mesmo assim sim vamos ter nossas inseguranças e dúvidas. Para isso nada melhor que tentar saná-las com as pessoas queridas,, não é mesmo?

De certa forma, é de tudo isso que o filme trata, mostra com sutiliza outro trunfo, que o diretor Daniel Ribeiro aborda de forma tão natural que ficou foda e o melhor de tudo que deixa entre linhas para provocar uma reflexão. Sim, é para você pensar um pouco e tenho certeza que será legal, acredite!

Apesar dos meus anos de carreira não imaginava que era tão complicado fazer filmes para jovens por conta de todo o mercado nacional cinematográfico e falar dele em um especial e não revelar de bate-pronto todas as mensagens sem cestragar a graciosidade que o filme tem. Então aconselhamos se você não viu o filme veja apenas a matéria da TV Blog e a crítica ou se você ainda quer um algo mais para ver ou se já viu e também ficou viciado e/ou apaixonado pelo longa como nós, veja as entrevistas escritas, que muita coisa a gente teve que cortar para não estragar as surpresas que o filme pode causar nas diversas reações em cada um. Borá lá ver o que rola nesse especial desse filme que sem dúvida entrou para história do cinema nacional!

Assista agora a entrevista com direção e elenco com a equipe da TV BLOG HCNOAR em parceria com o site CCINE 10 com o repórter convidado Emílio Faustino antes de termos visto o filme, no lançamento  no Cine Sesc em São Paulo.

Veja o trailler do filme:

Como citamos, rolou uma ótima parceria com o site CCINE 10, veja crítica deles (feita pelo nosso repórter convidado que é do cast do site de cinema) do filme que consideramos uma das melhores que lemos e assinamos embaixo, leia aqui

Segue as entrevistas exclusivas com o Daniel Ribeiro, Fabio Audi e Ghilherme Lobo após a produção da HCNOAR ter visto três vezes o filme (algumas perguntas foram de uma galera que nos procurou via comentários no site no post da festa do filme, por inbox da nossa página e no instagram e que resolvemos colocar também [todos tímidos pediram para não serem identificados, ok e vamos respeitar].

Confere ae!

Daniel Ribeiro (diretor):

HC: Tanto no curta como no longa, como surgiu a ideia de abortar a sexualidade do menino cego?

DR: A ideia era abordar a sexualidade de uma maneira diferente, todo mundo tem a referência da visão para a atração ou lembrança de algo visual. Usando um personagem cego, ele daria mais valor usando os outros sentidos. Mas o que faz a sintonia entre os dois personagens não é só os sentidos como o cheiro, mas o mundo que o Gabriel abre para o Leonardo.

HC: Geralmente na fase da adolescência é a fase da descoberta, da revolta, e da compreensão de seu corpo, Gabriel, quando conclui que está apaixonado por Gabriel, ele aceita facilmente isso, com uma forma muito natural o que infelizmente não é o que ocorre na maioria dos casos dos gays mesmo nos dias de hoje. Como foi essa escolha?

DR: Ele não passa por essa questão, e eu acho que deveria ser natural essa descoberta mas no caso do gay quando você demostra seus sentimentos a sociedade te reprime. O filme mostra isso de forma comum, pois o Leonardo mesmo sendo cego é comum.

HC: A escolha da trilha primorosa como foi o processo? Você acha um desafio usar uma trilha não tão popular ou atual para um filme que se passa em nossa época?

DR: Eu escolhi filmes que e eu e o montador achamos incríveis e seguimos nosso instinto e quando terminou não vimos a necessidade de uma trilha composta. Também não pensei se tinha que ser atual ou antiga, deixei tudo fluir.

HC: A entrega e amadurecimento de todos do elenco  é muito forte. O que você acha que se deve isso? 

DR: A gente ensaiou muito, talvez no longa mais tempo, os atores leram o roteiro sete meses antes das filmagens, isso deixou eles mais próximos dos personagens.

HC: Para quem não sabe você já tinha feito um curta também com tema gay e jovem chamado "Café com Leite", porque você acha que ele não explodiu como o curta "Hoje Eu Não quero voltar sozinho"?

DR: Ele falava para outra geração e foi lançado em 2010 e o sucesso também se deve que o curta Hoje Eu Não Quero Voltar Sozinho ser lançado na era das redes sociais. É o filme do seu tempo.

HC: Como foi a ideia de usar aplicativos como da campanha Não quero ir ao cinema sozinho?

DR: Era um dialogo real com as pessoas, nós estavamos quase compartilhando com os amigos, não pensamos como uma ferramenta de marketing. A criação do aplicativo foi ideia minha de tentar conectar as pessoas, sair um pouco do virtual e vamos juntar as pessoas.

HC: Algumas pessoas queriam já baixar o filme, como você vê isso?

DR: Para mim perdemos um público. Trata-se de um pessoal que não vai ao cinema e no Brasil é complicado isso. Não tem como fugir disso.

HC: Você acha que se seu elenco fosse com jovens famosos, o processo de divulgação, captação de orçamento seria mais fácil?

DR: Não cabia colocar atores famosos, os atores já tinham uma liga e o problema não é o público e sim o distribuidor que segue essas regras e conseguimos falar de um filme que tudo a principio que eles não aceitariam, mas nosso ideal que é algo de qualidade pode vencer essas barreiras.

HC: Como se deu o processo desde o curta, a escolha do elenco e como se deu o processo de pesquisa para entrar no mundo teen?

DR: Não teve muita pesquisa, fui muito nas minhas vivências e os atores traziam muitas coisas do mundo deles por terem idades próximas aos dos personagens.

HC: Uma questão tão evidente como as demais é a criação bolha, que geralmente ocorre não só com filhos especiais mas com pais de maneira geral, porque resolveu abordar também esse tema?

DR: Acho que é comum de mãe estar preocupada, mas nesse caso ela tinha um motivo a mais e para o personagem também era uma questão a mais. Mas tem gente que acha ela normal (rs).

HC: Você já citou que é um filme sobre tolerância, qual tema gostaria de abordar ainda?

DR: Queria ver outras questões da tolerância.

HC: Em nossa entrevista anterior para a TV BLOG HCNOAR, antes de ver o filme, comentamos sobre a possibilidade de ter o 2 e disse que seria trabalhoso, mas teria já outro projeto? 

DR: Ainda to sem vendo quais das ideias que tenhoe qual vou levar para frente. 

HC: A festa Baila Baila  que  rolou no Club Yacht celebrou a estreia do filme, qual o motivo de ter escolhido esta festa?

DR: O organizar é nosso amigo e nos convidou e calhou com a data do filme. Talvez role em outras cidades a festa do filme. Mas foi uma escolha muito bacana. A festa foi incrível!
 
Fabio Audi (Gabriel):

 
HC: Você no filme fala que é de Itapira, no seu face diz que você veio de lá é uma brincadeira ou você veio mesmo? Se sim o Gabriel é um pouco esse menino do interior que vem para cidade grande. Como é ser um jovem do interior numa cidade como São Paulo nos tempos atuais? 
 
FA: Sim, sou de lá mesmo, foi uma brincadeira que fizemos com um fundinho de verdade.  O Gabriel é aquele menino típico do interior, com jeito de muleke, que é meigo, que anda de bike, vai para casa dos amigos e conhece todo mundo. Antigamente acho que era tudo mais assustador e lendário com a TV, internet é algo mais tranquilo. Bom eu vim para São Paulo e acho que bem tranquilo , mas o que mais me chamou a atenção foi andar de metrô e aquela tecnologia toda etc, mas é claro que aqui é a cidade que tudo acontece e isso atraí o jovem que não vê as mesmas oportunidades, principalmente na área cultural. Acho que esse meu maior motivador.
 
HC: O Gabriel é um personagem super na dele e também notamos junto com o personagem Leonardo a descoberta da homossexualidade que é encarada de forma muito sutil e quase nenhuma negação e talvez  com medo de uma certa rejeição. Sabemos que a maioria dos gays sofrem essa negação nesse processo. Por que você acha que isso não acontece com o Gabriel e com o Leo?
             
FA: Eu acho que o Gabriel tem sim a negação, principalmente na cena da bicicleta, aliás eu sempre quis a bicicleta no filme, pedi várias vezes para o Daniel, e nessa cena ela entrou como uma luva, pois é um momento mais de negação do que rejeição é um momento de confusão que se passa na cabeça dele.
 
HC: Algum momento você teve medo de ter em seu papel de maior relevância até o momento iniciar um personagem gay com beijo entre dois caras?
    
FA: Jamais! (risos) Eu já tinha feito uma peça em que a nudez era até frontal e acho que isso para o ator é só um detalhe se ela faz sentido no contexto da cena e ainda mais do jeito que o Daniel fez de forma tão sutil, mas o que nos incomodou a água de tão quente quase nos queimamos para  não parar a cena. Refizemos algumas vezes em diversos ângulos da filmagem mas os que entraram foram justo essas cenas e então até que valeu a pena. Ah! Não posso deixar de dizer que eu já tava tão tranquilo devido ao profissionalismo da equipe que eu já tava andando pelo set nú, ou só de cueca em alguns momentos, mas naquele momento o importante não era a nudez e sim a cena.
 
HC: A troca de ensinamentos e companheirismo e até um ar de romantismo entre o Gabriel e o Leo são bem especiais ao longo do filme, alguns consideram esse tipo de relação utopia no dias de hoje, o que você acha?
 
FA: Acho que pode ter as duas coisas alguém mais prático mas as relações são criadas através das trocas e do que agregamos um ao outro no caso do Gabriel ele traz um mundo novo para o Leonardo, como ir ao cinema, por exemplo e isso é encantador até para uma pessoa que enxerga imagina para um cego. Para o Gabriel talvez seja isso que encantou também trazer o Leonardo para o mundo, quando ele fala sobre o toque do celular, o que faz ele ser diferente.
 
 





















 
 
HC: Numa sociedade que impõem um padrão de beleza e de cabelos lisos, você ter cachos se torna um charme como é apontado no filme? Como está lidando com o assédio provocado pelo filme, essa certa fama te assusta ou incomoda?  
 
FA: Os cachos? (risos e um vermelhão no rosto do Fabio) Nunca pensei nisso! Mas pode ser talvez acho que depende de como cada um quer ver. Sobre o assédio todo ator espera um reconhecimento de seu trabalho, mas dar autógrafos, tirar fotos, entrevistas e ter suas redes sociais bombadas e as pessoas querendo falar com você da noite para o dia é algo que me espanta mas não assusta, só fico cada mais feliz porque é foda você ver uma galera admirando algo que se dedicou tanto.
 
HC: Alguns criticaram o filme por acharem que o personagem do Gabriel ficar alcoolizado nas festas não é um bom exemplo, o que você pensa sobre isso?
 
FA: Resumindo, o filme pega leve até demais em outras questões como o uso da maconha que também é um tabu a vir ser quebrado. Uma parcela dos jovens também não fumam? Qual o problema em mostrar? O politicamente correto é um saco as vezes e seria irreal, sim os adolescentes bebem e não será um filme falando ou não disso que irão tomar mais ou menos. O filme só retratou uma realidade. O que faz o jovem perder o controle não é só o que ele consome e sim o que faz ele consumir principalmente.
 
HC:  A cena da piscina tem um erro de continuidade que é o protetor está uma hora em parte do corpo do Leo e depois não está, apuramos que foi um dia difícil de gravação, por que? Essa foi a ultima cena ou a cena que você, a periguete e o Leo estão na piscina a noite? Quando terminou você tinha a noção do tamanho do personagem e do filme que fizeram e de uma certa forma entrando para história da dramaturgia e do cinema brasileiro? Sofreu algum bullying de conhecidos ou mesmo online devido ao personagem?
 
FA: A foi foda porque parecia estar mó sol no filme mas na verdade estava nublado e tivemos que correr com as filmagens devido a chuva. A gente sabia que tinha feito um bom trabalho, aliás a cena na piscina do acampamento foi foda porque a a água estava mega gelada e nós precisávamos parecer mega felizes e bêbados.
 
HC: Sobreu bulying de alguém próximo a você?
 
FA: Cara foi ao contrário. A minha vó viu, chorou e achou lindo e todo mundo nos parabenizou e por ser um filme de minorias as pessoas ao contrário do que pensava as vezes parece que estamos em um sonho. 
 
HC: A gente viu em muitos post e comentários pessoas querendo te convidar para dançar. Para você, o que a pessoa dever ter para convidá-la para uma dança?
       
FA:Eu acho que tem que ser alguém que dança bem! (risos) Poh! Não sei sou timído ("ficamos surpresos com isso") acho que a pessoa não pode ser tímida. Gosto de gente que já sabe chegar. Não sei se sargitariano se é tímido mas como não sei dança complica.
 
HC: Você virou fã da banda Belle & Sebastian?


 
 
FA: Cara eu ouvia muito na época do curta e fiquei viciado, mas com o tempo passou e voltei a escutar o resto do que eu já escutava, mas é uma boa banda.
 
HC: Sabemos que toca piano clássico, conte-nos quem é o Fabio Audi fora 
das telas, vai para balada ou gosta de ficar em casa e também sabenis que adora 
viajar e você sim fez intercâmbio o que mais curtiu?
 
FA: Sou um cara um pouco mais reservado mas vou em todos os lugares, sobre o intercâmbio eu aconselho muito a galera que puder sair, só pode melhorar a formação eu fui para California e tive contato com coisa muito legal como natação, teatro e você que escolhe e isso é muito bacana e ainda mais sendo escola pública que infelizmente aqui não é igual.
 
Ghilherme Lobo (Leonardo):

 
HC: Quando você recebeu o convite, já no curta você ainda bem mais novo, 
te assustou já de cara fazer um personagem homossexual e deficiente 
visual?


GL: Eu não diria assustar e sim impressionar, mas de jeito bem positivo, pois eram características que nunca tinha interpretado antes. Foi uma surpresa e não um susto.
 
HC: O processo do amadurecimento entre o curta e o longa é bem notável, 
quais foram as suas maiores dificuldades? Dentro disso o personagem se 
revela gay de uma forma sutil e não entra em nenhum processo de negação 
que é comum entre a maioria dos gays, porque você acha que com o Leo não rolou isso?


GL: Acho que o Leo, nunca sentiu a pressão social de homem ter que ficar com mulher e vice-versa, fica muito claro isso na cena entre ele, a mãe sobre o futuro do Leo. Depois também entre os diálogos com a Giovana para ele deixar de ser BV. Tudo é tão sutil que acaba refletindo no Leo e por isso ele não sente essa negação na descoberta.
 
HC: A questão de ser independente e sair da criação bolha , na sua 
opinião é fundamental para o Leo, por ser algo de todo jovem ou também 
é uma questão de todo deficiente visual?


GL: Acho que os dois, a independência na minha opinião é muito importante, as vezes fazemos isso porque queremos ser importantes e amamos muito alguém, mas se a pessoa responsável por alguém e tiver esse comportamento vira uma espécie de "muletas" e hoje conheço uma pessoa que está andando com as próprias pernas e está tendo suas descobertas e tá gostando. Seja cego ou não a pessoa tem que aprender a se virar.
 
HC:  As cenas de nudez geralmente são um ponto complicado para atores até 
já consagrados e ainda mais em país que a nudez é consumida mas não 
tolerada como em outros países e no filme foi feito de algo tão 
natural, isso se deve uma amizade também com o Fabio Audi que faz o 
Gabriel como foi esse processo?





 
GL: Não foi só uma questão de amizade. Mas uma questão de profissionalismo e entrega com cena e com a arte  e ao projeto do filme. A cena é comum, é tomar banho, é faz ou não. A questão do Leo ficar de shorts é do personagem e não do ator. Teve um cara brincando comigo disse que subornei o diretor para minha bunda aparecer menos que a do Fábio e não (risos). Foi uma opção do diretor. Claro que a amizade entre Fábio e eu ajudou mas acima de tudo a 
entrega e profissionalismo rolou sempre. Falo pelo Fábio também a gente jamais iria negar essa cena.
 
 
 
 
HC: Você acha que se a Gi arrumasse um namorado o Leo teria um ciúminho?

GL: Com certeza! (muitos risos) Mas como foi o Leo que arranjou primeiro ela ficou com ciúmes, mas como sempre eram eles dois.
 
HC: Você acha que a Giovana gostava do Leo, não só como amigo?
 
GL: Mas geralmente em amizades longas e intensas rola uma certa admiração, e acho que ela sairia da Friend Zone sim.
 
HC:  O que foi mais difícil aprender o olhar, o andar com a bengala, 
fingir que não estava vendo, aprender braile? 


GL: Dessas opções a mais difícil foi aprender Braile, pois era pouco tempo e eu precisava e queria aprender.

 
HC:  Seus amigos ou conhecidos quando você fala que fez um gay  com beijo 
e tudo, agiram como?


GL: Devido ao longa ainda não ouvi nada e espero não escutar mas na época do curta na escola somente um cara que fez piadinha e logo a turma rejeitou o comentário e nem tive que me preocupar com algo desse tipo.
 
 


HC:  Na noite de lançamento no Cine Sesc, onde gravamos a matéria da TV 
BLOG HCNOAR antes de ver o filme, percebemos que no final muitos idosos 
que poderiam ter algum repudio ao filme, se levantaram e aplaudiram o 
filme, que deu uma grande cartase de aceitação do filme e aos 
personagens o que você acha que se deu isso?

 
GL: Eu acho sensacional! Nosso trabalho sempre foi visto que era apenas para os teens e jovens mesmo sendo isso o bacana  mas conseguimos somente tocar eles e sim ampliando o público,  passando por todas as fases e não vendo como sacanagem como pouquíssimas pessoas falaram na época do curta.
 
 
HC: Assédio, sucesso e porque não fama,
 como você tá lidando com isso principalmente após a 
estreia do filme? Também recebemos via face uma pergunta curiosa como é ser objeto de adoração que queriam trazer o Leo para vida real e levar para casa?


GL: A galera é até respeitosa e poucos passam do limite. Eu to me acostumando um pouco com isso, acho que na verdade elas querem o  Leo, não me querem, talvez role essa confusão.


HC: Percebemos que as duas coisas agora né, pois vemos que rola um istalk já sobre sua vida (muitos risos).
 
 
GL: É talvez sim, acho interessante, não sei bem ainda o que pensar mas não vejo nada pejorativo e sim um carinho e se tem segundas intenções, isso acontece.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
HC: O filme sem dúvida é um marco no cinema nacional e para a causa LGBT, como falamos para um ator em inicio de carreira esse filme já te 
proporciona alguns desafios, quais outros você queria ter?


GL: Enquanto ator a parte de ser homossexual não era exatamente um desafio, porque não era o foco e muito mais desafiante ser um deficiente visual. Um novo desafio talvez, algo que me ajudasse a passar uma mensagem que isso me agradou que não fosse só entretenimento. Um personagem adolescente com a namorada grávida por exemplo.
 
 
HC: Todas as cenas envolvem muito romantismo com o Gabriel, mas algo 
suave, lemos em alguns lugares que hoje não existe mais  e que seria 
utópico esse tipo de relacionamento atualmente. O que você pensa disso?


GL: As duas coisas, existe mas não tão mostrado porque estamos em uma sociedade machista e homofóbica, talvez um pouco utópico  mas o filme tá aí mostrando que existe e quer resgatar e mostrar que não é problema nenhum ter esse tipo de relação.
 
HC:  Vimos um pouco de você na festa Baila Baila no clube Yatch, você é um 
jovem de ir para balada, festinha em casa, como é o Guilherme Lobo fora 
da tela e dos palcos?


GL: Sou um misto.Tem dias que gosto de ficar em casa e as vezes vou para a balada, gosto de ir para casa dos amigos. Me sinto um cara normal, as vezes por ser ator a galera pensa que posso ter uma vida louca.


HC: Pelo filme talvez te julgaram tímido mas quem te viu na festa, percebeu quanto animado e ótimo dançarino que você é deixando a Carla Perez no chinelo e viram oposto (risos).
 
 
 
 
GL: Eu sou muito sociável mas claro que tem momentos que fico tímido. Nunca sai de uma escola nova sem ter feito amizade no primeiro dia.

 
Victor Filgueiras (Guilherme):



HC: O Guilherme é cúmplice do Fabio eles eram aparentemente os únicos que faziam os bullyings, hoje você acha que isso é a realidade ou apenas a minoria que faz essa pratica ou eles eram a representação da maioria?
 
VF: Guilherme e o Fabio representam, no filme, uma grande parte do pessoal que está estudando. A maioria, com certeza pratica bullying ou ja praticou. Muitas vezes, a tiração rola até entre amigos, claro que, não com o objetivo do Fabio no filme, mas pra fazer uma zoeira, rir um da cara do outro, mas é, não deixa se ser um tipo de chateação de qualquer maneira.
 
HC: Como é fazer o anti-herói em um filme cheio de mocinhos?
 
VF: Fazer um anti-heroí num filme de amor/romance assim é muito gratificante, por que além de você ter que saber praticar o bullying pesado, você tem que saber fazer isso muito bizarro pra fazer quem ta perto rir, entendeu? E isso é mais tranquilo de interpretar, por que tem de monte no mundo, você vai em qualquer lugar, principalmente escolas, sempre tem aqueles que zoam os outros...
 
HC: Nas filmagens da house party e do acampamento rolou alguma festinha de verdade depois do fim das cenas? Se sim como foi?
 
VF: Não, infelizmente não rolou nenhuma festinha depois do acampamento e nem da house party, claro que rolou aquela zoeirinha de sempre, mas festinha não. Até não daria, porque as filmagens do acampamento acabavam muito tarde e nós tinhamos que voltar pra base, na Vila Mariana, e a house party também acabou por volta das 4/5hrs da manhã.
 
Obs: A produção da HCNOAR, tentou falar com a Tess Amorim, mas infelizmente por ela estar sem celular no momento não conseguimos elaborar as perguntas e assim também e não o sabemos se ela conseguiu receber o nosso e-mail até o fechamento. Já no debate  que houve no MIS ela me respondeu que se a Giovana falou que o final dela fica para imaginação de cada um (risos) e que sim os meninos não iriam gostar de ver ela com alguém talvez a dica para a continuação.
 
 
Saiba como foi foda a festa do filme na festa Baila Baila no Club Yacht. veja as fotos do elenco durante um dos nossos encontros aqui e as fotos oficiais da festa aqui 
 
 
Sem dúvida é um filme de arte que sabe entreter e que não precisou dos mecanismos clássicos do cinema como estrelas globais e grandes apoios para mostrar que é possível se fazer cinema de qualidade técnica e com bom conteúdo.
 
Se liga que irado que alguns fãs fizeram:



 O Evando Moraes que é fã do HEQVS, tatuou em seu braço o nome do filme.


 






















 






 
 
 

Curiosidades extras sobre:


o público paulistano poderá assistir  “Hoje eu quero voltar sozinho”, com os recursos do aplicativo "Whatscine" em todas as sessões do filme no Espaço Itaú de Cinema Frei Caneca em São Paulo.
 
O Whatscine garante acessibilidade a pessoas com deficiência a partir de smartphones e tablets, transmitindo recursos de audiodescrição, interpretação em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e subtitulação. O aplicativo, inédito no Brasil, chega graças a uma parceria entre a OSCIP Mais Diferenças, o Espaço Itaú de Cinema e a Vitrine Filmes.
 
 
Cartaz alternativo.

Também existem dois outros aplicativos, um numa campanha para juntar as pessoas e todas irem ver juntas o filme no cinema que chama "Não Quero Ir ao Cinema Sozinho", onde você escolhe a cidade, a sessão e com uma ilustração bacana do filme pode postar no face e chamar seus amigos, rolos, peguetes, namorados (as), esposa ou marido para ver o filme. Acesse aqui
 
O Outro você coloca a sua foto do twitter ou face na ilustração do filme com o texto dizendo que você irá ver o filme. Acesse aqu
 
 
Coletiva de imprensa do filme.
 
Bom, sabemos que um conteúdo longo para jovens e na internet é complicado, mas achamos que esse seria um jeito de  retribuir o esforço do diretor , da produtora e do elenco para que esse filme rolasse e fosse o que ele é e também uma forma de registrar a pequena homenagem da Rede HCNOAR Produções, assim como podemos deixar de agradecer a colaboração da Lacuna Filmes, Vitrine Filmes, da assessora Regina da Foco Jornalístico, do Cine Sesc, do Club Yatch, do MIS e da Secretaria de Cultura para  Genêros e Etnias do Estado de SP que sem eles não seria nada possível.
 
 

Lista de cidades/cinemas que o filme Hoje Eu Quero Voltar Sozinho estará em cartaz na semana de 17 a 23 de abril.São elas:
Aracaju
Cinemark Jardins
Belém
Cinépolis Parque Belém
Belo Horizonte
Cinema Belas Artes, Ponteio e Cine 104
Brasília
Espaço Itaú Brasília, Cinemark Pier 21 e Cine Liberty Cultura
Campinas
Cineflix Galeria Campinas
Curitiba
Espaço Itaú Curitiba, Cinépolis Pátio Batel e Cinemark Muller
Florianópolis
Cinesystem Iguatemi Florianópolis e Cinemark Floripa Shopping
Fortaleza
Dragão do Mar
Goiânia
Lumiere Bouganville e Cine Cultura de Goiânia (Pré-estreia)
Juiz de Fora
Espaço Cinearte Palace (Pré-estreia)
Maceió
Cine Arte Pajuçara (Pré-estreia)
Mossoró
Multicine Mossoró
Natal
Cinemark Midway Mall e Moviecom Natal
Porto Alegre
Espaço Itaú Porto Alegre, Cine Guion e Cinemateca Paulo Amorim
Recife
Cinermark Riomar, Rosa e Silva e Fundação Joaquim Nabuco
Ribeirão Preto
Cinépolis Santa Úrsula
Rio de Janeiro
Espaço Itaú de Cinema Botafogo, Cine Estação Rio, Cine Estação Barra Point, Cine Estação Gávea, Cine Odeon Petrobras, Cinemark Downtown, Laura Alvin, Cine Santa e Ponto Cine
Salvador
Espaço Glauber, UCI Oriente Barra, Sala de Arte Vivo, Sala da UFBA e Sala do Museu
Santos
Espaço de Miramar Santos e Roxy Pátio Iporanga
São José dos Campos
Cinemark Colinas
São Paulo
Espaço Itaú Augusta, Espaço Itaú Frei Caneca, Espaço Itaú Pompéia, Reserva Cultural, Cinemark Santa Cruz, Cinépolis JK e Cinépolis Alphaville
Sorocaba
Cinespaço Villagio e Cinépolis Sorocaba
Vitória
Cine Ritz Jardins
 
 
Em breve uma promoção do filme aqui na HCNOAR, aguarde!
 
 
Equipe que colaborou:
Ademir Francisco - Revisão
Bruno Monjon - Conceito e Produção
William Dantas - Produção
 
Chamada do especial HCNOAR feita pelo Ghilherme Lobo:

 
Belle & Sebastian - There`s Too Much Love - Ao vivo no Rio

 
Dúvidas ou contato: producao@hcnoar.com
 
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Aguardem novas promoções

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NOME
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BANDA
MÚSICA
 
  • 01.   CPM 22 - Perdas

    02.   Nx Zero - Modo Avião

    03.   Scalene - Surreal

    04.   Fly - Cabelo de Algodão

    05.   Tiago Iorc - Dia Especial

    06.   Luan Santana - Escreve aí

    07.   Banda do Mar - Mais Ninguém

    08.   Efelix - Segundo Plano

    09.   Against the Current - Talk

    10.   Supercombo - Piloto Automático

    11.   Scambo - Roda Gigante

    12.   Foo Fighters - Something From Nothing

    13.   Scracho - Divina Comédia

    14.   Versalle - Verde Mansidão

    15.   Mc Biel - Pimenta

    16.   Instinto - Agradeço ao Rock N' Roll

    17.   Paramore - Last Hope

    18.   Violetta - Euforia

    19.   Theodor - Adeus

    20.   Urbana Legion - Tempo Perdido

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